A proibição das apostas on-line no Brasil, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode estar provocando mudanças no consumo das famílias brasileiras. Segundo informações divulgadas pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), o setor supermercadista registrou crescimento nas vendas de alimentos após a entrada em vigor da medida.
De acordo com os dados apresentados pela entidade, as vendas no varejo alimentar cresceram 6,5% entre os dias 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, na comparação com os mesmos períodos de 2025. Entre os produtos que registraram aumento na procura estão itens básicos da alimentação, como arroz, óleo, macarrão e café. Segundo a associação, o movimento foi observado em diferentes formatos do varejo alimentar, incluindo supermercados, atacarejos e mercearias.
O presidente da Abras, João Galassi, relacionou o desempenho do setor à proibição das chamadas bets. A avaliação é de que parte dos recursos anteriormente destinados às plataformas de apostas pode estar sendo redirecionada para o orçamento doméstico, especialmente para a compra de alimentos.
Outro dado apontado é a redução das transações realizadas por Pix. Segundo informações atribuídas ao Banco Central, o número de operações teria caído aproximadamente 10% nos três primeiros dias após a publicação da medida provisória que proibiu as apostas.
A Abras avalia que a restrição às apostas on-line pode estar contribuindo para o aumento das compras nos supermercados. A associação também relaciona o movimento a dados do Banco Central que, segundo ela, apontam redução nas transações via Pix após a medida.
A proibição foi estabelecida pela Medida Provisória nº 1.394/2026, publicada em 25 de setembro. A determinação alcança apostas esportivas e jogos on-line, incluindo plataformas conhecidas como cassinos virtuais. Desde 6 de outubro, os sites e aplicativos autorizados foram obrigados a encerrar suas operações no país.
Apesar da avaliação da Abras, ainda não há comprovação de que o crescimento das vendas de alimentos tenha sido provocado diretamente pelo fim das apostas. Outros fatores econômicos também podem influenciar o consumo, e não foi demonstrada uma relação exclusiva entre a redução das transações por Pix e a proibição das bets.
Os números, entretanto, levantam uma discussão sobre o impacto das apostas no orçamento das famílias brasileiras e sobre a possibilidade de que recursos antes utilizados nos jogos passem a ser destinados a despesas essenciais.





