A necessidade de retorno de voos comerciais ao aeroporto Bartolomeu Lyzando, em Campos dos Goytacazes, foi debatida em reunião realizada pela Firjan Norte Fluminense na manhã desta terça-feira, 20/10. Desde março de 2025 a ausência de voos comerciais tem impactado o desenvolvimento econômico e competitividade industrial do Norte Fluminense. A reunião é um desdobramento dos debates realizados pela Representação Regional sobre a infraestrutura da região e contou com a participação do superintendente de operações da Infra S/A, concessionária responsável pela operação da unidade, de integrantes do Conselho Empresarial da Firjan, Porto do Açu, entidades representativas, representantes da Prefeitura de Campos e a Gerência de Estudos de Competitividade da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
De acordo com o superintendente da Infra S/A, Samuel Tavares, a concessionária segue realizando movimentações para viabilizar a retomada dos voos a Campos. “Temos negociado com operadoras, entre elas Latam e a Azul, e precisamos apontar a viabilidade econômica para a retomada dos voos”, revelou Samuel, que ainda pontuou que “o cancelamento dos voos comerciais ocorreu por questões administrativas da companhia Azul Linhas Aéreas que que iniciou um processo de reestruturação financeira”.
Durante a reunião, Rafael Lanunci Poubel, especialista em Estudos de Competitividade da Firjan falou sobre a importância da parceria e que a federação está atenta na defesa do pleito, inclusive para a realização de estudos para contribuir com uma solução.
“A Firjan está unindo esforços com outras instituições e entidades em prol da solução. É importante entender se já existe e em que status está o estudo da Infra e qual o encadeamento de ações para que possamos contribuir de maneira mais eficiente para acelerar o processo de retomada dos voos no aeroporto de Campos”, afirmou.
O Secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação de Campos, Felipe Knust, destacou que são muitos os impactos devido a ausência dos voos comerciais. “Este movimento da Firjan é um passo importante. Estamos aqui pra poder juntar forças e trazer novamente os voos. Esse voo geralmente ficava lotado. Agora, é buscar outras empresas aéreas, visto que isso está atrapalhando muito as pessoas e o desenvolvimento econômico, tanto para o Porto do Açu, quanto para toda Campos. O turismo, que é muito forte na nossa cidade, não está acontecendo. Esse não é o primeiro movimento e seguiremos juntos buscando dados técnicos para poder destravar esta questão para que outras empresas aéreas venham operar em Campos, já que esse é o nosso principal gargalo hoje”, destacou.
Com atuação coordenada pela Firjan Norte Fluminense ficou estabelecida a manutenção de um Grupo de Trabalho para viabilizar a retomada de voos em Campos e um novo encontro foi agendado para novembro para que a Infra possa apresentar dados concretos sobre demanda pregressa, capacidade de operação e ações já realizadas para que entidades e poder público possam encontrar meios de contribuir com o debate e nas negociações futuras.
Para o gerente de relações institucionais do Porto do Açu, a atuação do grupo de trabalho pode contribuir na busca de soluções. “É mostrando nossas necessidades, a capacidade produtiva da nossa região e a importância de termos uma infraestrutura robusta e eficiente que conseguiremos destravar o desenvolvimento”, afirmou.
Retomada de voos em Macaé também contou com articulação Firjan
Durante a reunião, o conselheiro da Firjan, e membro da comissão de Macaé, José Walmir, lembrou como ocorreram as negociações para a retomada dos voos comerciais em Macaé. “É um exemplo de como a união de esforços entre o poder público, a iniciativa privada e as entidades representativas podem contribuir para o desenvolvimento regional. Com atuação desde 2020, a Firjan apoiou as articulações em Macaé para recuperar a conectividade aérea do município, inicialmente impulsionadas pelo movimento Repensar Macaé, que identificou no turismo e na diversificação econômica oportunidades para o futuro da cidade. Essa experiência pode servir de referência para Campos dos Goytacazes”, pontuou.
Para Fábio Paes, presidente da CDL e membro do Conselho Empresarial da Firjan, a realização de estudos sobre a demanda regional é urgente. “Me impressiona saber que a concessionária não tem um estudo de viabilidade pronto, mesmo depois de um ano de sete meses sem voos comerciais. É importante manter o diálogo com companhias aéreas e empresas interessadas em garantir a ocupação dos voos, além da avaliação das condições operacionais e dos custos envolvidos”, afirmou.
Para o especialista em Estudos de Competitividade da Firjan, a manutenção do grupo de trabalho será primordial para o alinhamento entre os setores público e privado. “A união dos setores, aliado a dados consistentes e à articulação da Firjan, são a força necessária “para viabilizar a retomada da conectividade aérea e ampliar as oportunidades de negócios e desenvolvimento no Norte Fluminense”, finalizou.






