O turismo já representa cerca de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e começa a se aproximar da cadeia do petróleo, que responde por aproximadamente 12%. Em meio à ameaça de redistribuição dos royalties — que pode impactar diretamente municípios do interior do Rio — o setor passa a ser visto como uma alternativa estratégica de desenvolvimento econômico, avaliação da coordenadora de Parcerias Regionais da Embratur, Fátima Pacheco, em entrevista exclusiva ao blog da Suzy Monteiro. (Vídeo no final da matéria)
Segundo ela, o cenário atual exige uma mudança de mentalidade por parte dos gestores públicos, com maior integração entre esferas de governo e aproximação com a iniciativa privada.
“Tem sido um grande aprendizado. O turismo não depende apenas da vontade do prefeito ou do recurso municipal. Ele exige a participação das três esferas de governo, investimento privado e, principalmente, visibilidade das nossas riquezas”, afirmou.
🔎 Integração regional e novo posicionamento
Um dos principais movimentos nessa direção é a atuação do CIDENNF, consórcio que reúne municípios do Norte e Noroeste Fluminense e vem apostando na construção de uma estratégia integrada para o turismo regional.
Entre as ações, está o lançamento de um catálogo com cerca de 80 produtos turísticos, reunindo atrativos históricos, culturais e naturais do interior do estado.
A iniciativa conta com parceria da Embratur e do Sebrae, com foco na promoção conjunta dos destinos e no fortalecimento da cadeia turística.
“O CIDENNF continua com muita musculatura, trabalhando pelo desenvolvimento do interior. Esse catálogo vai ser muito importante para dar visibilidade ao que a gente tem”, destacou.
⚠️ Royalties voltam ao centro da tensão
O avanço do turismo ocorre em paralelo ao aumento da tensão em torno da possível redistribuição dos royalties do petróleo, tema que deve voltar ao centro das discussões com julgamento previsto no STF.
Para Fátima Pacheco, o impacto de uma eventual mudança na divisão desses recursos pode ser profundo para os municípios produtores.
“Se tirar esse recurso do Estado do Rio, não quebra apenas o estado — quebra a vida das pessoas. Esse dinheiro financia políticas públicas essenciais”, alertou.
Ela destacou ainda a necessidade de mobilização política e institucional para enfrentar o tema.
“Acredito muito na mobilização de todas as lideranças e da sociedade para mostrar, com dados, o impacto dessa redistribuição.”
📊 Alternativa econômica e futuro do interior
Apesar da defesa dos royalties, a coordenadora da Embratur reforça que o momento também impõe uma reflexão sobre o futuro econômico das regiões produtoras, especialmente diante do caráter finito do petróleo.
Nesse cenário, o turismo surge como uma alternativa com potencial de crescimento e maior capilaridade econômica.
“Estamos muito próximos. E o turismo tem uma vantagem: é mais inclusivo, mais sustentável e distribui renda de forma muito mais equilibrada”, afirmou.
Na avaliação dela, o fortalecimento do setor pode representar não apenas uma saída econômica, mas uma mudança estrutural no modelo de desenvolvimento do interior fluminense.
“O petróleo é finito. O turismo pode surgir com muita força como uma alternativa para o futuro dessas regiões.”, concluiu.




