A esposa do ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, Manoella Duarte, publicou uma nota neste fim de semana relatando as condições em que afirma ter encontrado o marido durante uma visita.
Preso preventivamente desde março. Primeiro, na Penitenciária Federal de Brasília e, em seguida, transferido para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.
Na publicação, Manoella afirma que decidiu se manifestar após dois meses sem conseguir ver o marido. Segundo ela, durante a visita realizada na última quinta-feira, Bacellar apresentava marcas de algemas no corpo e relatou dificuldades enfrentadas dentro da unidade prisional.
“Sou uma mulher reservada. Nunca expus a minha vida pessoal e nunca imaginei que faria algo assim”, escreveu.
Ela relata que o ex-deputado toma banho utilizando uma caneca, não teria ventilador na cela e dormiria com sabonete no corpo como forma de afastar mosquitos.
Manoella também afirmou que Bacellar estava com um dedo do pé inflamado e teria recorrido a água quente da própria comida para tentar aliviar a dor. De acordo com ela, embora a unidade disponha de atendimento médico, haveria restrições para a entrada de medicamentos prescritos pelos profissionais que acompanham o ex-parlamentar.
Outro ponto levantado pela esposa é a dificuldade para o banho de sol. Segundo Manoella, os horários seriam organizados de acordo com grupos existentes no sistema prisional e Bacellar não integraria nenhum deles.
Na nota, ela ressalta que não pretende discutir as acusações ou o processo judicial contra o marido. “Isso é assunto da Justiça, e eu confio que a Justiça fará o seu trabalho e a verdade prevalecerá”, afirmou.
A manifestação, segundo Manoella, é um pedido para que sejam asseguradas condições adequadas ao ex-deputado. Ela afirma não reivindicar privilégios, tratamento diferenciado ou a liberdade do marido, mas condições que considera básicas, citando água, ventilador e atendimento médico.
“Meu marido é um preso provisório. Não foi julgado. Não foi condenado”, escreveu. Ao encerrar a publicação, Manoella diz temer pela saúde de Bacellar e pede que ele “seja tratado como ser humano”.
Bacellar está preso desde março
Rodrigo Bacellar teve a prisão preventiva decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 27 de março. Segundo o STF, a investigação apura indícios de vazamento de informações sigilosas e obstrução de investigações relacionadas a organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Em agosto, a Primeira Turma do STF recebeu, por unanimidade, denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), tornando Bacellar réu por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa armada. Segundo a acusação, ele teria atuado para frustrar investigações relacionadas ao ex-deputado TH Joias. A defesa de Bacellar sustenta sua inocência.
Com a decisão de recebimento da denúncia, o processo segue para a fase de instrução e Bacellar ainda não foi julgado nem condenado pelas acusações que deram origem à ação penal.





