Representantes do PT e do PSOL relatam ameaças e gestos obscenos durante panfletagem no Pelourinho; caso foi levado à Delegacia de Atendimento à Mulher
Militantes de partidos de esquerda denunciaram episódios de racismo, violência política de gênero, ameaças e intimidação durante uma atividade de campanha pela reeleição do presidente Lula, nesta terça-feira (20), no Pelourinho, área central de Campos dos Goytacazes. Segundo os relatos, o grupo, formado majoritariamente por mulheres, foi abordado de maneira agressiva por apoiadores do candidato Flávio Bolsonaro.
Após o episódio, representantes do PT e do PSOL procuraram a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para denunciar o ocorrido.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente do PT de Campos, Danilo Dutra, classificou a situação como absurda e afirmou que episódios de violência e intimidação não podem se tornar rotina durante o processo eleitoral.
“Em uma campanha política, a gente tem que pedir votos, apresentar projetos, mas a gente tem que passar por situações como essa? Situações como racismo, agressões e intimidação estão se tornando rotina aqui em Campos. Nós não aceitamos isso”, declarou.
Danilo afirmou ainda que o grupo não fará concessões diante desse tipo de comportamento.
A vice-presidente do PT de Campos, Odisseia Carvalho, relatou que os militantes estavam realizando uma atividade pacífica de campanha quando foram surpreendidos por um grupo de apoiadores de Bolsonaro.
“Todos os dias nós estamos lá fazendo a nossa campanha de forma pacífica e, infelizmente, hoje fomos acometidos por vários bolsonaristas que estavam fazendo gestos obscenos, inclusive praticando racismo contra as nossas companheiras”, denunciou.
A presidente do PSOL de Campos, Daniele Pádua, também participou da atividade e relatou momentos de medo e constrangimento, principalmente entre as mulheres.
“Fomos vítimas de violência política de gênero, de raça. Uma situação extremamente agressiva com a gente. Estávamos em maioria de mulheres lá no Pelourinho, panfletando, dialogando com a população, quando fomos surpreendidas por um grupo de militantes, bandeirantes do 22”, afirmou.
Segundo Daniele, as mulheres se sentiram acuadas e ameaçadas durante a abordagem.
“Foi muito triste o que aconteceu. A gente não vai permitir esse tipo de violência. Nós temos o direito de estar nas ruas e de não sermos vítimas desse tipo de violência política, de gênero e de raça”, acrescentou.
O advogado do PT de Campos, Thiago Pádua, afirmou que o episódio não pode ser tratado como uma simples divergência entre adversários políticos. Para ele, a disputa eleitoral precisa respeitar os direitos individuais e a democracia.
“Essa campanha está sendo marcada por uma série de atos de violência política. Hoje você tem uma turma que, lamentavelmente, praticou gestos racistas, violência de gênero, fazendo gestos obscenos para um grupo de mulheres que estavam fazendo a campanha do presidente Lula”, declarou.
Tiago também fez um apelo às autoridades para que sejam adotadas medidas contra episódios de violência política.
“Mais uma vez, nós estamos apelando para a Polícia Civil, para o TRE, para o Ministério Público, para combater a violência política. Eleição se ganha na urna”, afirmou.
O Pelourinho, no Centro de Campos, é tradicionalmente utilizado para manifestações políticas e atividades de campanha eleitoral de diferentes partidos.
As denúncias foram apresentadas pelos representantes partidários, e os fatos ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes. Até o momento, não há informação sobre a identificação dos envolvidos ou eventuais medidas adotadas pela polícia.





