“O Turismo é o novo petróleo e quanto antes os prefeitos tomarem consciência disso, melhor será”. A fala do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, sintetiza o que foi dito nesta segunda-feira, 25, encontro com a sociedade civil, na Uenf. Acompanhado da ex-prefeita de Quissamã e coordenadora de parcerias regionais do órgão, Fátima Pacheco, Freixo apresentou o que a Embratur está realizando para ressignificar o Turismo para além dos cartões-postais das capitais brasileiras, ampliando sua presença no interior e nas comunidades, como instrumento de desenvolvimento econômico, cultural e até de promoção de segurança pública. Freixo também se colocou à disposição do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho, para ir ao ministro dos Portos e Aeroportos para tratar da possibilidade da reativação dos voos do aeroporto Bartholomeu Lisandro.
Segundo Freixo, o Brasil registrou em 2024 o maior número de turistas internacionais da história, alcançando 6,77 milhões de visitantes — crescimento de 14,6% em relação ao ano anterior — e gerando US$ 7,3 bilhões em receitas para o país. No Rio de Janeiro, a movimentação também impressiona: em 2024, foram 1,5 milhão de turistas, e em 2025, apenas até julho, já são 1,8 milhão. A expectativa é chegar a 3 milhões de visitantes internacionais no estado ainda este ano.
Durante sua fala, Freixo destacou que o turismo tem sido capaz de transformar territórios antes estigmatizados pela violência. Ele citou como exemplo a comunidade de Oswaldo Cruz, Zona Norte do Rio, que passou a ganhar espaço nos noticiários por sua produção cultural e não mais pela violência.
“A segurança pública deixou de ser a notícia central em Oswaldo Cruz. Isso não é bom para mim ou para você, é bom principalmente para quem mora lá, para quem não quer vender sua casa ou seu comércio. O turismo devolve dignidade e novas perspectivas”, afirmou.
Freixo também abordou a importância de transformar o chamado “turismo de favela”, ainda muitas vezes marcado por um olhar estigmatizante. A Embratur tem atuado junto a lideranças comunitárias e guias locais para que as próprias comunidades conduzam a narrativa, apresentando sua cultura, gastronomia e projetos sociais.
Na comunidade da Babilônia, no Leme, zona sul do Rio, iniciativas de reflorestamento e energia solar têm atraído visitantes estrangeiros interessados em experiências autênticas e sustentáveis. O presidente da Embratur destacou que esse tipo de turismo gera impacto direto na vida dos jovens locais.
> “Na Babilônia, muitos jovens já falam línguas estrangeiras porque recebem turistas do mundo todo. Isso dá a eles um novo horizonte. O turismo pode ser um caminho de vida, uma escolha que disputa a juventude com o crime”, disse.
Para Freixo, fortalecer destinos fora do eixo tradicional, incluindo comunidades e regiões do interior, é fundamental para diversificar a economia do turismo no Brasil e consolidar o país como referência mundial.
“O turismo não é apenas lazer. É desenvolvimento, é cultura, é disputa de sentidos e de vidas. É uma estratégia de transformação social e econômica”, concluiu.
Voos – Um calcanhar de Aquiles quando se fala em Turismo, seja nacional ou internacional, é falta de infraestrutura e de aeroportos que facilitem o acesso a estados e municípios. Freixo destacou que é importante ter voos, mas lembrou, também, que não é preciso aguardar a solução do problema para desenvolver ações: a própria demanda gerada pelo Turismo, seja histórico, de negócios ou ecológico, acaba despertando o interesse das empresas aéreas.




