Análise aponta impacto da queda do Brent, da paralisação de plataformas e do cenário geopolítico sobre os repasses aos municípios produtores em 2026
A redução dos royalties do petróleo creditados no último dia 22 de janeiro e a perspectiva de novo recuo nos repasses de fevereiro são resultado de uma combinação de fatores econômicos, operacionais e geopolíticos. A avaliação é do Superintendente de Petróleo, Gás e Tecnologia de São João da Barra, Wellington Abreu, que analisou o cenário após a queda registrada nos municípios produtores da região.
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Segundo Wellington Abreu, os números refletem diretamente o que ocorreu no fim de 2025, quando houve queda no preço do barril do petróleo tipo Brent, redução da produção em campos estratégicos do país, paradas operacionais em plataformas e a greve de trabalhadores do setor registrada em dezembro.
O superintendente explica que, em novembro, o Brent apresentou recuo em relação a outubro, o que impactou negativamente a base de cálculo utilizada para o repasse dos royalties. Ao mesmo tempo, foi registrada uma diminuição significativa da produção em campos considerados fundamentais, como Roncador, Tupi e Búzios.
– No Norte Fluminense o impacto foi ainda maior por conta da paralisação da plataforma P-52, no campo de Roncador, após um vazamento de gás. A unidade é a de maior peso produtivo do campo e, até o momento, não retomou plenamente suas operações. Essa interrupção comprometeu o volume produzido e atingiu diretamente municípios dependentes da Bacia de Campos, como São João da Barra e Campos dos Goytacazes – explica.
Ainda segundo o superintendente, os efeitos da paralisação já foram sentidos no repasse de janeiro e devem continuar nos meses de fevereiro e março. Somada à greve ocorrida em dezembro, a avaliação é de que todo o primeiro trimestre esteja comprometido por queda na arrecadação dos royalties.
Wellington Abreu destaca, ainda, que o cenário vai além das questões operacionais. A instabilidade geopolítica global, intensificada por decisões do governo americano desde a eleição de 2024, tem gerado turbulência nos mercados internacionais. O episódio envolvendo a Venezuela, segundo ele, é apenas um dos sinais de um contexto mais amplo, marcado por pressões para a redução dos preços do petróleo, com projeções que apontam o Brent na casa dos US$ 50.
Outro ponto de atenção mencionado pelo superintendente são as incertezas jurídicas em tramitação no Supremo Tribunal Federal, que também podem impactar as receitas futuras dos municípios produtores.
Diante desse quadro, Wellington Abreu avalia que 2026 exigirá responsabilidade, cautela e planejamento por parte das administrações públicas. Para ele, os royalties não podem ser tratados como uma receita garantida, especialmente em um cenário econômico e geopolítico cada vez mais instável.





